quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Climatinê: Robocop

por
Macgaren

O novo Rubber... digo, Robocop.

Desde o anúncio de que Robocop teria um remake eu tomei (ou tentei) uma decisão: Iria assistir sem ficar comparando com o clássico pois isso seria desleal com qualquer remake, ainda mais com o de Robocop. E foi até bom porque essa versão tem uma história completamente diferente do original o que facilita não ficar comparando. Mas assim como o corpo do Robocop... Vamos por partes:

Pretendo não revelar muito mas o post poderá ter um ou outro detalhe do filme comentado.


Onde está minha outra luva?
O principal problema do filme já se mostra desde seu início: É muito arrastado! As coisas demoram pra acontecer. Não sei se é porque a geração de hoje em dia precisa das coisas muito bem explicadas e mastigadas ou o que quer que seja mas isso faz com que o filme seja praticamente sobre a Onmicorp com o próprio Robocop ficando relegado a segundo plano por grande parte do filme. E nas vezes em que o personagem título dá o ar da graça, a ação termina tão rápido quanto começou. Isso quando conseguimos ver algo.

Outra coisa que acaba enchendo o saco é a relação e sentimentalismo exacerbado envolvendo a família Murphy. Todo Mundo sabe que o Alex virou Robô. Que deve ser difícil passar por essa situação e tudo o mais mas não precisava ficar correndo com a mulher e o filho dele pra cima e pra baixo. E são um trio tão desinteressante que no fim eu não estava mais dando a mínima pra eles.

Corra, Murphy, Corra!
Agora vamos ao visual do nosso protagonista: A primeira vez que ele aparece, ele usa uma armadura prateada muito bonita mas lá pra metade do filme (quando o Robocop aparece de fato)  muda para a versão definitiva preta que eu apelidei carinhosamente de Rubbercop (Policial de borracha). Já vi armaduras de tokusatsu mais bem feitas que aquela. Talvez ele use uma roupa de borracha pra se proteger já que a arma principal desse Robocop é uma de choques… é… tem coisas que só a classificação PG- 13 faz por você.

E por falar na classificação do filme: O diretor José Padilha até tentou fazer umas cenas de ação mais “reais” inspirado pela sua experiência nos dois Tropa de Elite mas a total ausência de sangue imposta por essa classificação faz ele falhar miseravelmente. A cena do Robocop invadindo o esconderijo de um Bandidão exemplifica bem isso:  Apagam as luzes e apelam pra visão noturna/calor que impede qualquer visualização. Só o que vemos são pilhas de bandidos  no chão depois que as luzes se acendem.

E uma última “mimimizada” sobre o visual: Talvez eu tenha perdido o simbolismo ou estava cochilando e não peguei mas… Porque raios deixaram a mão humana no Robocop?? Se tiraram todo o resto do corpo além da cabeça e pulmões qual o sentido em deixar a mão? Manter as impressões digitais? “Ainda resta um pouco de humanidade e blábláblá?” Sério, se alguém entendeu, dê uma mão e deixe aí nos comentários.

Vivo ou Morto, você vem comigo.

Mas o filme também tem vários pontos positivos: Há críticas à indústria armamentista dos EUA, às grandes corporações que só pensam em lucro acima até da vida humana.

Apesar da interpretação do próprio Joel Kinnaman não estar lá essas coisas (sendo bem bondoso), três atores salvam o quesito interpretação: Michael Keaton, Samuel L. Jackson e Gary Oldman. Keaton faz um Presidente da OnmiCorp que convence como o executivo inescrupuloso . Jackson apesar de aparecer pouco, também manda bem como um apresentador de TV que é a favor dos EUA adotarem a força militar que usam nos Países dos outros. E o Velho Gary dispensa comentários: Ele é o cientista que constrói o Robocop e acaba se tornando quase que uma figura paterna pro Alex (ou o que sobrou dele).

Quarteto Fantástico? Eerr... Não.

Os efeitos especiais também estão 90% perfeitos. Só não estão completamente aceitáveis por uma cena: A luta do Robocop com os (sim! Mais de um) ED-209. Aquilo ficou tão mequetrefe que tinha momentos que tudo parecia um grande videogame (Mal feito).  Há também a cena em que mostram o que sobrou do Alex sem a armadura que é sensacional (e aumenta ainda mais a inutilidade de terem deixado a mão humana).

Mas se eu já falei mal da armadura de borracha do nosso querido protagonista, dele vem também o ponto em que mais gostei no filme: A tecnologia que ele usa. Achei uma grande sacada o fato dele acessar remotamente as imagens das câmeras de vigilância espalhadas pela cidade para encontrar os bandidos que ele está perseguindo. Faz mais sentido que um certo filme de um Palhaço que envolve um Morcego.
Além disso a movimentação do Robô ficou muito boa também. Fizeram um excelente trabalho de áudio ao ponto de, apesar de você estar vendo borracha, acreditar que o Robocop é uma máquina pesada.

Vou apagar a criminalidade.
Mas no geral, se Robocop não é um filme que se diga: Minha nooossa! Que filme!! Se conseguir se manter acordado pelo início arrastado, o dramalhão familiar e coisas do tipo.

Ainda é legal por resgatar um clássico da infância (se você for tão velho quanto eu, lógico). Vale a assistida ao menos pela curiosidade.

4 comentários:

Renver disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Verssago DeLarge disse...

Sobre a mão, no final é com ela que o Robocop atira no Sellars.

Esse filme tem cara de que foi retalhado pelos produtores, especialmente o final. Não duvido que tinha alguma cena explicando essa mão humana. Em outra cena vemos Robocop saindo da delegacia e os policiais segurando cartazes de greve, que nem é citada durante o filme. A greve, a mão, a ligação da Omni Corp com os bandidos que matam o Murphy... Acho que várias cenas que abordavam esses temas foram cortadas para dar lugar a ação.

Renver disse...

Achei coerente sua crítica!!! Mesm oeu tendo gostado horrores... achei sua crítica coerente em comparação a fanboyzice de um certo site de gordos nerds ricos...

Anônimo disse...

Sobre o que o amigo Verssago disse;

Pode até ser que tenham cortado essas cenas para dar mais ênfase à ação. Acredito que isso pode acarretar em uma versão DVD/Blu-Ray com cenas extendidas. Vamos esperar pra ver...

Sobre o que o amigo Renver disse:

Também achei coerente a crítica e achei babaca a viadagem dos gordos nerds sobre esse filme. Sim, o filme não é nota 11 de 10, mas é muito melhor que um certo filme de um homem morcego com uma gata ladra...

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