quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Top Max: 5,5 Mocinhas em Apuros dos Quadrinhos

por
Corto de Malta

Elas não são super-heroínas, tão pouco vilãs, mas estão sempre ao lado dos heróis em grandes aventuras. Confira, elogie ou discorde desse top feito especialmente para homenagear aquelas que pra uns são amadas e pra outros são simplesmente os seres mais desnecessários das HQs depois dos ajudantes-mirins: as Mocinhas.


5 - Jane Porter - A Pioneira

 
Praticamente o conceito de mocinha nas histórias de heróis nasceu quando Tarzan disse: "Mim Tarzan. Tu Jane"... Bom, pra falar a verdade ele nunca disse isso, mas o que importa é que daí nasceu no inconsciente coletivo a noção de companheira do herói. Jane Porter foi criada em 1912 em livros de Edgar Rice Burroughs como uma americana de Baltimore, que o cinema popularizou como inglesa, compatriota de Lorde Greystoke, o Tarzan.

Ela conheceu e se encantou com o Homem-Macaco durante uma expedição à África, mas por ele desistir de tentar viver na civilização os dois se separam no fim do primeiro livro, Tarzan dos Macacos (ou Tarzan, O Filho das Selvas).

Porém, Jane decide ir viver com o herói no livro seguinte, A Volta de Tarzan, atitude que deve ter chocado muita gente na época, mas que ao mesmo tempo contribuiu para aumentar o fascínio da lenda, a qual anos atrás ganhou nova roupagem com a animação dos Estúdios Disney. Não só o Cinema, mas também as HQs herdaram essa história e ajudaram Jane a se tornar uma das personagens mais icônicas da ficção, principalmente no traço de Hal Foster e Burne Hogarth.

Afinal, Jane é tão popular que se alguém no Brasil pronunciar seu nome de maneira correta em inglês, ninguém a reconheceria. Com inúmeras intérpretes, Jane foi vivida nas telas desde Maureen O'Sullivan até Andy MacDowell, passando por Bo Derek num filme péssimo que só tinha como atrativo a sensualidade da atriz. Nada que se compare, porém, as cenas dos dois nadando nus no filme de 1934 Tarzan e Sua Companheira. Destaque para o método utilizado por Tarzan para "aliviar" Jane de suas roupas.





 




4 - Silver St. Cloud - A Influente


A primeira vez que ouvi falar em Silver St. Cloud foi num quadrinho aonde Bruce Wayne se fechava em si, pensativo, ao ouvir seu nome, enquanto o narrador dizia que ela foi o grande amor do Batman. Criada em 1977 por Steve Englehart e Marshall Rogers, Silver era uma socialite e promotora de eventos que conheceu e se apaixonou por Bruce.

A grande sacada de Englehart é que até então todas as namoradas dele eram itens de decoração, enquanto ela, ainda que belíssima, tinha uma inteligência à altura do Cavaleiro das Trevas. Tanto que acabou deduzindo que seu amado era o Batman e foi a primeira mulher que chegou a fazê-lo pensar em largar a capa e levar uma vida normal. A cena em que o Homem-Morcego flagra a loira só de toalha é considerada clássica entre as HQs do personagem.

No entanto, ela afastou-se dele por não suportar viver com quem sempre correria o perigo de nunca voltar vivo. Retornou anos depois comprometida com outro no arco Dark Detective (trama de Englehart e Rogers que nunca saiu aqui e que foi uma das inspirações para o filme The Dark Knight de Chris Nolan), mas a paixão reacendeu novamente, provando que, mesmo estando atualmente separados, Bruce e Silver tem uma ligação muito forte. A última aparição da garota foi numa minissérie escrita por Kevin Smith jamais lançada por essas bandas e onde o herói chega a pedir sua mão em casamento.

Fãs brasileiros podem a princípio não saber quem é Silver St. Cloud, já que parte de sua história permanece inédita no Brasil, assim com outras excelentes histórias clássicas do Morcego (Alô Panini!), mas com certeza todos a conhecem, pois esta personagem inspirou praticamente TODAS as namoradas do Batman que vieram depois dela em diferentes mídias.

A Rachel Caspian da HQ Batman Ano Dois, a Dra. Shondra Ksolving da Queda do Morcego, a Vesper Fairchild e a Sacha Bourdeax das HQs Bruce Wayne: Assassino? e Fugitivo, a Jezebel Jet de Descanse em Paz, a Andrea Beaumont da animação A Máscara do Fantasma, a Vicky Vale do longa Batman - O Filme (que inclusive seria a Silver no roteiro original, tanto que a Kim Basinger é muito mais parecida com ela que com a Vicky da HQ, que tinha cabelo castanho encaracolado e não era desenhada com lábios carnudos antes do filme do Tim Burton) e a Rachel Dawes dos longas Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas... todas tem algo em comum com a primeira mulher pra quem eu já vi o Cruzado Encapuzado dizer "Eu te amo".







3 - Gwen Stacy - A Inesquecível


Minha personagem preferida da lista, Gwendolyn Stacy era gente como a gente. Criada em 1968 por Stan Lee e Steve Ditko, aparentava ser só a patricinha convencida que pegava no pé do nerd Peter Parker, mas acaba se revelando uma adolescente tão insegura quanto o alvo de suas investidas pouco românticas.

Gwen era na realidade uma evolução plausível da "namoradinha perfeita" Betty Brant (até esse nome era perfeito pra um cara chamado Peter Parker)com mais nuances de personalidade e mais humanidade. Por isso sempre rejeitei a idéia que a Gwen fosse a tal namoradinha perfeita e a Mary Jane uma evolução em cima disso, além do próprio Stan Lee ter dito que a princípio gostava mais da loirinha entre as namoradas do teioso e, se depois ele mudou de idéia, nunca mais conseguiu expressar outro romance do herói de maneira tão inspirada.

Se a Marvel sempre passou a sensação de dar aos gibis um ar de "novela", no bom sentido, uma das principais razões do Homem-Aranha ser a melhor "novela" era a história entre Peter e Gwen. Com o tempo os dois amadurecem juntos e se tornam amigos, mas demoram uma eternidade pra começar a namorar e mesmo depois sua paixão viveu sempre à sombra da vida secreta dele como Homem-Aranha.

Nem adiantaria enumerar aqui a quantidade de histórias importantes que de alguma forma envolveram a loirinha. Praticamente 80% dos momentos mais relevantes na cronologia do Cabeça-de-Teia tiveram uma participação indireta ou direta dela.

Tanto que outros romances com outras mulheres como Mary Jane Watson e Felicia Hardy acabavam repetindo algumas cenas já vividas pelo casal Peter e Gwen. Além disso, na contramão da maioria das mocinhas como Lois Lane, Gwen muitas vezes odiava ou desprezava a identidade heróica mascarada, mas amava demais sua identidade secreta.

O maior revés no caminho deles foi sem dúvida a trágica morte do pai dela, na qual o Herói Aracnídeo se envolveu. Mas que no fim, contra todas as perspectivas, acabou fortalecendo o amor deles, o qual só encontrou obstáculo incontornável quando o Duende Verde matou Gwen Stacy. Até hoje lembrar que o arquiinimigo do Aranha soube de sua identidade secreta e matou sua namorada pra se vingar ainda choca e é certamente o ponto de ruptura mais terrível na vida do sobrinho da Tia May.

Jamais uma mocinha da importância da Gwen havia morrido, mas mesmo após tanto tempo da sua morte e tantos retcons idiotas que tentam denegrir o passado da personagem, ela permanece bastante presente como uma ferida que não cicatrizou, pois ficou pra sempre na alma de Peter.

Ainda que tenha sido visualmente bem retratada por Bryce Dallas Howard no sofrível longa Homem-Aranha 3, foi no desenho animado Espetacular Homem-Aranha que Gwen teve seu primeiro grande momento fora das HQs. Voltou a aparecer nos cinemas no reboot da franquia aracnídea, O Espetacular Homem-Aranha vivida por Emma Stone, e teve enfim o destaque merecido.








 

2 - Lois Lane - A Eterna


Essa dispensa apresentações. É a prova incontestável que até mesmo um tipo de personagem considerado clichê e até machista pode alcançar um nível de popularidade surpreendente. Lois foi criada por Jerry Siegel e Joe Shuster já na primeira história do Superman em 1938 e nunca mais foi embora.

Um dos grandes atrativos da revista do Último Kryptoniano foi sem dúvida um dos mais insólitos triângulos amorosos já imaginados: o tímido repórter Clark Kent amava sua colega, a intrépida e efusiva jornalista Lois Lane, que por sua vez amava o Superman... que era na verdade o próprio Clark Kent! Ou seja, Clark foi o primeiro e único "ricardão de si mesmo"!

Na Era de Ouro das HQs Lois (que no Brasil passou anos sendo chamada de Miriam!) ainda não sobressaia muito do clichê da donzela em perigo e sua natural evolução foi adiada anos depois, como a de outros personagens dos comics, graças ao infame código de censura que aterrorizou os quadrinhos a partir dos anos 50. Neste tempo ela limitou-se a ser uma mocinha tola que queria desposar o Homem de Aço a qualquer custo em aventuras cada vez mais surreais.

O cenário começou a mudar nos anos 70 quando, incentivados pelo crescente movimento feminista, os autores trabalharam sua personalidade de forma que ali ela começou a se tornar a mulher independente e geniosa que todos conhecemos hoje... e que já passou o rodo em metade dos heróis do Universo DC, ficando com Batman, Aquaman, Arqueiro Verde e até o desconhecido Predador, pra só depois namorar sério com Clark Kent, que também deu suas ciscadas por aí, na Terra com Lana Lang, no espaço com Lyla Lerrol, numa produção pornô com a Grande Barda ou até debaixo d'água com Lori Lemaris... mas que sempre terminava voltando pra Lois.

Apesar de muitos a acharem a mulher mais burra do universo por não reconhecer o amor de sua vida por causa de um mísero par de óculos, o carisma de Lois a tornou a mais popular das mocinhas dos gibis, tanto que, além de aparecer em praticamente todas as adaptações do Super pra outras mídias vivida por diferentes atrizes, ainda teve a honra de ver seu nome vir primeiro no título de uma delas, a série Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman, onde a atriz Teri Hatcher dava vida à personagem. 


Já a Lois Lane de Erica Durance foi a melhor coisa vindo da série Smallville. Lois apareceria no cinema em três versões: interpretada por Margot Kider na quadrilogia estrelada por Christopher Reeve, por Kate Bosworth em Superman - O Retorno e por Amy Adams em O Homem de Aço, reboot da franquia do Super.

No decorrer do tempo ela descobriu a identidade secreta do herói e casou com ele e os "três" passaram a viver muito bem... até que DC decidiu remodelar (de novo) seu universo separando assim o casal na nova continuidade... Mas diferente do casamento de um certo aracnídeo, não acredito que isso dure muito. Afinal, todo mundo sabe que o ponto fraco do Homem de Aço não é kryptonita. É a Lois Lane.









1 - Diana Palmer - A Melhor



E chegamos à Diana Palmer, atualmente Diana Palmer Walker. Na verdade ela me motivou a criar essa lista. Diana é sem sombra de dúvida a mais completa de todas as "mocinhas em apuros" dos heróis. Tanto que fica até estranho aplicar este termo a personagem. Criada por Lee Falk e Ray Moore ela é praticamente a protagonista das primeiras tiras do Fantasma. E não é só isso. 


Sua primeira aparição é lutando boxe e no primeiro arco de histórias aparece o tempo todo de maiô, enquanto ajuda o Espírito Que Anda a lutar contra os piratas. Em outra ocasião é mostrada tomando banho com as costas nuas. Isso em 1936!

Diana era uma mulher totalmente fora dos padrões da época, assumira os negócios do pai, era independente, determinada, sensual, aventureira e corajosa. Era tudo o que a Lois Lane levou 40 anos pra se tornar já antes da criação da Lois e do próprio Superman. Arrebatou o coração de Kit Walker, a identidade secreta do Fantasma, de tal forma que mesmo à mercê das mais estonteantes vilãs, o herói só conseguia pensar em Diana.

E não era pra menos. Campeã olímpica de natação, faixa preta de judô, sabia atirar, montar e pilotar, participando ativamente da ação da trama, da qual o Fantasma sempre arrumava uma pausa pra tascar um beijo em Diana. Tempos depois a personagem foi trabalhar na ONU em missões humanitárias. Acaba, como várias mocinhas que duram muito nas revistas, descobrindo a identidade do Espírito Que Anda.

Mas Diana foi além. Em 1977 ela foi a primeiríssima mocinha a conseguir arrastar um herói pro altar. E não foi só juntar os trapinhos como a Jane e o Tarzan não. O Fantasma casou com Diana com direito à véu e grinalda... e pigmeus como convidados.

Aliás, diferente do caso da Jane, Diana colocou como condição viver separada do marido e suas aventuras na Selva de Bengala na África para poder continuar trabalhando na ONU, o que não os impediu de seguirem com uma união estável e terem até filhos gêmeos.

Carácules! A mulher é tudo aquilo que os autores almejam pra esse tipo de personagem. Ela não se limita a ter uma personalidade arrojada. Dá um banho de atitude em relação às demais provando ser a mais digna companheira possível pra um herói de verdade. Provavelmente a primeira mocinha em apuros que saía do apuro sozinha.

Infelizmente, Diana nunca teve uma adaptação à altura pro cinema, onde puseram a sem graça da Kristy Swanson que parece mais uma filhinha de papai perto da pirata maravilhosa vivida pela Catherine Zeta-Jones. E ainda por cima me colocam o Billy Zane de Fantasma.








0,5 - Steve Trevor - O Consorte



Tá certo que as minorias sofrem, mas acho que é mais impossível ser mais minoria do que o Major Steve Trevor. Afinal, se a Mulher-Maravilha é uma dos raras personagens femininas quem emplacou no universo dos super-heróis, isso torna Steve praticamente o único exemplar masculino do gênero "mocinha em apuros".

Aliás, olhando pra ele eu não consigo parar de pensar no atrapalhado Major Nelson do seriado Jeannie é um Gênio, que também vivia a voltas com o "poder" de uma mulher. Não estranharia se o Sidney Sheldon tivesse se inspirado livremente no Trevor e na Diana quando criou o seriado.

Criado por William Mounton Marston, o personagem é sempre associado as origens da Princesa Diana pois foi quando estava voando pela Força Aérea Norte-Americana, que Steve Trevor acabou caindo com seu avião na mítica Ilha Paraíso, lar imortal das Amazonas. E foi ao ser escolhida num torneio para levá-lo de volta ao Patriarcado que Diana adotou sua identidade heróica e deu início as suas aventuras.

Originalmente o fato de Steve ser um homem submisso à mulher fazia parte do componente feminista aplicado por Marston nas histórias originais da heroína, ainda que a identidade secreta de Diana fosse de um discreta secretária ou enfermeira, numa clara alusão a relação Clark Kent/Superman. Mesmo assim, desde o princípio fica bastante evidente o encantamento da Mulher-Maravilha pelo Major, o primeiro homem que ela viu na vida.

Mas, diferente da Lois e várias outras mocinhas, o relacionamento dos dois nunca engrenou principalmente por desejo dos editores de não manter a personagem ligada romanticamente a nenhum homem, o que fez com que Trevor fosse morto DUAS VEZES nas HQs, em 1968 (NOTA: três anos antes da morte de Gwen Stacy pelo mesmo motivo nos gibis do Aranha) e 1978, o que por sua vez também não impediu que eles acabassem se casando na década de 80.

Aí veio Crise nas Infinitas Terras, o reinício (que depois virou moda) na DC e, enquanto a Diana e o Steve da Terra 2 iam viver felizes pra sempre na Ilha Paraíso, o casal da "nossa Terra" começou uma nova história e cada vez mais para os escritores novos pareceu mais interessante mantê-los separados até que por fim, ele se casou com a melhor amiga dela, Etta Candy.

Ah, Steve...

O Major costuma aparecer em todas as séries e desenhos da Mulher-Maravilha, sendo sua versão mais famosa a do seriado dos anos 70, interpretado por Lyle Waggoner. Mas sem dúvida a melhor versão fora dos quadrinhos foi a do desenho Liga da Justiça Sem Limites, onde ele era um espião dos Aliados na Segunda Guerra Mundial que a Mulher-Maravilha conheceu quando viajou no tempo com a Liga e que, de volta ao presente, ela reencontrou velhinho num asilo.

Nessa versão, Diana sabe que Steve a reconheceu por repetir o apelido de Anjo que botara nela na juventude, que por sua vez é uma referência a fase da Era de Ouro, quando Steve lembrava do acidente de avião na Ilha Paraíso quando eles se conheceram dizendo que fora salvo por um anjo.



Um comentário:

Richard Christian disse...

quer dizer que o Steve Trevor foi a primeira morte de "namorada" de super-herói?

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