segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Da Prensa: O Caminho Tortuoso Dos Deuses

por
Renver

Lengar o caçador, Camaban o aleijado e Saban o último filho de Hengall (líder tribal de Ratharryn). Essa é história de Stonehenge - lançado em 2008 na Inglaterra e 2010 no Brasil - de Bernard Cornwell onde a trajetória desses 3 irmaõs se choca diretamente com vontade dos deuses. Ambientado numa Inglaterra selvagem (2000 anos a.C.) as portas da idade do bronze, esse livro de um pouco mais de 500 páginas tenta elucidar toda razão e insanidade pro detrás da construção de Stonehenge.


Stonehenge segundo os historiadores:

Localizada ao sul da Inglaterra na planície de Salisbury, Stonehenge até hoje intriga a humanidade. A maioria dos historiadores concordam que o monumento foi usado pelo menos como observatório astronômico, no entanto, fica claro suas outras funções diante de achados arqueológicos (como restos humanos, por exemplo). O monumento teve várias formas antes de assumir sua provável forma final:



















Estima-se que até Stonehenge ficar nessa forma foram pouco mais de 30 milhões de horas de trabalho num período 100 anos. Alguns tipos de pedras foram transportadas por mais de 20 km de regiões montanhosas. Nesse processo com certeza muitas vidas humanas foram tomadas.

Segundo o romance de Bernard Cornwell o desejo dos homens de apaziguar os deuses em suas próprias intrigas. Lahanna (a deusa lua) e Slaol (o deus sol) a muito tempo tinham brigado e separado suas trajetórias (a diferença entre o calendário lunar = 354/355 dias e o calendário solar = 365/366 dias) assim cabia ao Templo dos Mortos (o que hoje conhecemos como Stonehenge) reconciliar os deuses. Trazendo aos homens uma nova era sem doenças, sem invernos, sem fome e para sempre livres da imposição da morte.

Formato atual de Stonehenge (hoje tombado como patrimônio mundial):

















A história em si tem um desenvolvimento lento, no entanto, pega o leitor de surpresa em momentos chaves quando a história muda totalmente de rumo. Ponto pro autor. Os detalhes, como eles construiu cada um dos três personagens principais. Você fica com ódio de Lengar, se solidariza por Saban (o protagonista) acompanhando com grande entusiasmo a formação do seu caráter. Camaban, torna-se um personagem inquestionavelmente intrigante, alguém que parece totalmente alheio a situação a sua volta (tem uma hora que Saban tá quase sendo morto e ele simplesmente começa a brincar com um gato), no entanto, demonstra ser um planejador meticuloso e manipulador.

A ambientação é maravilhosa, todo o planejamento pra a construção do monumento (como as pedras eram arrastadas, moldadas, encaixadas). Lutas tribais sem frescura ou clima épico algum, onde se vencia pela intimidação e cansaço. O fator divino é um tanto ambíguo, não fica claro se certos eventos são intervenções divinas ou mera coincidência, essa sutileza do autor é um elemento presente em todas suas obras. E por fim a selvageria... sinceramente nunca senti tanta aflição como nesse livro ao descrever os sacrifícios humanos (sem contar outras atrocidades).

Ponto negativo, achei o final do livro um tanto simples... pra não dizer medíocre. Pra mim faltou mais ousadia. Mas de forma alguma estraga o conjunto da obra. Tanto que as últimas 200 páginas são simplesmente irresistíveis... vejam bem, eu tava com sono, era de madrugada, precisava acordar cedo. Simplesmente não consegui parar de ler! Novamente mérito pro autor.

Stonehenge durante o solstício de inverno (por volta de 22 de dezembro):















Recomendo fortemente essa leitura (claro, desde que você não tenha estômago fraco) principalmente pelos aficionados por historia. Gostei muito do estilo de Bernard Cornwell, e não vejo a hora de acompanhar os outros trabalhos dele.

Pra encerrar deixo uma recomendação. A trilha sonora obrigatória pra esse livro é o álbum Origins (de 2010) do Shaman. Um excelente trabalho conceitual, de heavy metal melódico, que de certa forma tem muitas similaridades emocionais com o Stonehenge. Ambas as historias narram a trajetória tortuosa dos seus protagonistas destinados à liderança .
Fiquem com a minha música favorita - Blind Messiah:


Até a próxima pessoal.

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu acho esse livro um dos mais fracos do Bernard Cornwell...

As crônicas "arturescas" são bem melhores!!!! e empolgantes.

Esse livro tem hora que dá muito sono eles medindo e pondo as pedras, uma lenga lenga desgraçada....

Aliches Pickles disse...

Post foca hein Renver ?
Combina bem mesmo |:

Deka Master Aka disse...

Bom post Renver, até me deu vontade de ler, gosto do tema mas nunca lí nada do Cornwell, seria um bom livro para começar ? Ou poderia me recomendar outro ?

Renver disse...

Eu recomendo começar ler pelas crônicas arturescas...

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